Golden Visa em Portugal: Acabou? O que mudou e por que ainda vale a pena?

Muito se falou sobre o fim do Golden Visa em Portugal após as mudanças legislativas de 2023. E, de fato, houve uma transformação importante: a aquisição de imóveis deixou de ser uma via válida para solicitar esse tipo de visto. Mas o que muita gente ainda não sabe é que o programa continua em vigor com novas oportunidades menos óbvias, mas ainda atrativas.

Afinal, o que é o Golden Visa?

O Golden Visa, ou ARI – Autorização de Residência para Atividade de Investimento, é um programa criado por Portugal para atrair investimento estrangeiro. Em troca, oferece ao investidor e à sua família o direito de residência legal no país, com possibilidade de solicitar a cidadania após cinco anos, desde que cumpridos alguns outros requisitos.

O programa ficou especialmente conhecido pela possibilidade de obter o visto por meio da compra de imóveis em grandes centros como Lisboa e Porto. Com as alterações legislativas, essa alternativa foi encerrada. Mas outras rotas continuam ativas e, em alguns casos, mais vantajosas do ponto de vista estratégico e financeiro.

A principal alteração em 2023 foi o fim da possibilidade de obter o Golden Visa por meio de investimentos imobiliários residenciais. A medida buscou reduzir a especulação no setor e redirecionar os investimentos estrangeiros para áreas consideradas mais produtivas e inovadoras. Ainda assim, o programa permanece, mas com diferentes caminhos para investidores qualificados.

As vantagens são conhecidas e permanecem. Independentemente da via escolhida, o Golden Visa continua oferecendo uma série de benefícios:

  • Autorização de Residência
  • Direito de viver, trabalhar e estudar em Portugal.
  • Circulação livre pelos países do Espaço Schengen.
  • Possibilidade de incluir cônjuge, filhos e até pais no processo.
  • Requisitos mínimos de permanência: apenas 7 dias por ano
  • Direito à nacionalidade portuguesa após 5 anos de residência legal.

O Golden Visa não acabou. Continua vivo e acessível através de outras modalidades. As principais são:

Investimento em fundos

A alternativa que mais tem ganhado espaço nos últimos meses é o investimento em fundos de capital de risco ou fundos de investimento qualificados. O valor mínimo exigido é de 500 mil euros, e os fundos devem estar registrados e regulamentados pela CMVM (Comissão do Mercado de Valores Mobiliários).

O grande diferencial aqui é a diversidade de setores nos quais esses fundos atuam — todos alinhados com o desenvolvimento estratégico de Portugal. Os focos mais comuns incluem:

  • Tecnologia e inovação: startups, fintechs, inteligência artificial e soluções digitais com potencial de crescimento global.
  • Saúde e ciências da vida: empresas nas áreas de biotecnologia, equipamentos médicos e inovação farmacêutica.
  • Energia renovável e sustentabilidade: projetos em energia solar, eólica e eficiência energética, com viés ESG.
  • Transformação industrial e digitalização: modernização de pequenas e médias empresas portuguesas.
  • Turismo e economia criativa: iniciativas voltadas à hospitalidade, cultura e valorização do patrimônio nacional.
  • Agroindústria e alimentos premium: produção sustentável e com foco em exportação.

Além da contribuição para a economia real, esse modelo de investimento oferece vantagens importantes ao investidor:

  • Segurança jurídica: os fundos são regulados, auditados e seguem critérios claros.
  • Gestão profissional: o capital é administrado por equipes especializadas.
  • Modelo passivo: o investidor não precisa se envolver na operação ou gestão direta.
  • Potencial de valorização: em setores com alta demanda e relevância estratégica.
  • Cumprimento pleno dos requisitos para o Golden Visa, com mínima exigência de presença física no país.

Apoio à cultura e à ciência

  • Investimento de 250 mil euros em apoio à produção artística ou recuperação do patrimônio cultural.
  • Doações a instituições de pesquisa ou inovação tecnológica no valor de 500 mil euros.

Criação de empresas ou empregos

Também é possível obter o visto através da criação de uma empresa em Portugal que gere pelo menos 10 postos de trabalho permanentes, ou de forma combinada, com investimento e criação de, no mínimo, 5 empregos.

Em resumo

O Golden Visa não acabou — ele evoluiu. Se antes era uma estratégia muito ligada ao mercado imobiliário, hoje representa uma porta de entrada para investimentos mais alinhados com o desenvolvimento sustentável e tecnológico do país. Para quem busca mobilidade internacional, proteção patrimonial e, no médio prazo, uma segunda cidadania europeia, Portugal continua sendo uma das opções mais consistentes e atrativas.

Se este tema faz parte das suas estratégias de internacionalização ou das necessidades dos seus clientes, vale a pena acompanhar de perto as oportunidades que continuam abertas — e se adaptar ao novo cenário.

Estou à disposição para conversar sobre o tema, esclarecer dúvidas ou explorar caminhos possíveis dentro das regras atuais do Golden Visa em Portugal.

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