Entre a Cruz e a Espada

Entre a cruz e a espada”. Este ditado popular tão usado para expressar uma situação de dilema, indecisão, conflito ou perigo tem raízes mais profundas do que percebemos. Era o símbolo da inquisição. A igreja “concedia o perdão” para quem declarava rendição/pedia perdão (representado o ato pelo ramo de oliveira) ou então “fazia justiça” (representado o ato pela espada).

Para os judeus sefarditas portugueses e espanhóis perseguidos pela igreja católica, representava a escolha do povo judeu: converter-se ao cristianismo forçadamente ou receber a sentença cuja pena variava entre privação de liberdade, execração pública, confisco de bens e morte.

Séculos depois, o papa João Paulo II pediu perdão pelo período da inquisição e reconheceu que os métodos nada tinham a ver com o Evangelho. Mas afinal, o que foi esse período?

A Inquisição, conhecida também por instituir em alguns lugares o Tribunal do Santo Ofício, foi uma instituição da Igreja Católica por meio da qual se apoderou da autoridade civil e perseguiu, julgou e puniu milhares de pessoas quando entendia terem cometido atos de heresia contra a igreja. 

As instaurações dos Tribunais do Santo Ofício nos diversos reinos europeus variaram em datas. Em Portugal iniciou no ano de 1536 e perdurou até o ano de 1821. Aproximadamente 300 anos de perseguições, denúncias baseadas em histeria e milhares de injustiças por intolerância religiosa.

Durante estes 300 anos, judeus portugueses refugiaram-se em diversas partes do mundo. Boa parte já havia se convertido ao cristianismo – chamados Cristãos-Novos. Seus descendentes jamais se perceberiam descendentes de judeus. Outros continuaram em segredo suas crenças e expressões, algumas delas incorporadas ao longo dos anos na sabedoria popular e crença do povo brasileiro, sobretudo no nordeste.  

Hoje, contudo, muitos pesquisadores, historiadores e genealogistas empenham-se em evidenciar fatos e dados históricos para resgatar essas origens. Através de um estudo genealógico é possível voltar várias gerações e conhecer a história dos ascendentes. Quem sabe é chegada a hora do brasileiro descobrir quem foram realmente os portugueses que colonizaram o Brasil?

Em Portugal, o resgate histórico gerou um pedido de desculpas do governo e a edição de lei que concede o direito de retorno aos descendentes dos judeus portugueses sefarditas que foram expulsos de Portugal. A história revela que boa parte desses judeus portugueses fugiram para o Brasil, naquela época ainda chamado Terra de Santa Cruz, colônia recém descoberta.

Isso possibilita que os brasileiros, através de um procedimento específico e desde que comprovem perante a Comunidade Judaica a descendência sefardita, possam adquirir a nacionalidade portuguesa se houver interesse. 

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